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Pesquisa

Manejo Químico

TRIGO CLEARFIELD® - um novo aliado no controle das plantas daninhas

Eng. –Agr. Dr. Mauro Antônio Rizzardi Professor da Universidade de Passo Fundo, RS

INTRODUÇÃO
As culturas Clearfield®(CL) foram incorporadas em 1999, inicialmente com a cultura da Canola. Desde então culturas como o Arroz; Cevada; Girassol; Milho e Trigo foram selecionadas em todos o mundo.

No Brasil essa tecnologia é usada no manejo de plantas daninhas há cerca de 17 anos na cultura do Arroz-irrigado, ocupando 80% das áreas de cultivo com essa gramínea. No Sul do Brasil, a principal espécie daninha do Arroz-irrigado é o Arroz-vermelho (Oryza sativa). O fato de pertencer à mesma espécie do Arroz cultivado torna o seu controle químico limitado, e que se não realizado poderá reduzir a produtividade do Arroz em cerca de 20%. A adoção da tecnologia CL a partir dos anos 2000 permitiu o controle eficaz e eficiente dessa espécie daninha no arroz CL, reduzindo as perdas no rendimento pela matocompetição causada pelo Arroz-vermelho.

Essa tecnologia também está disponível em cultivares de Canola CL cultivadas no Brasil e, mais recentemente, foi introduzida na cultura do Trigo, com os cultivares TBIO Capricho CL®e TBIO Ello CL®.

TECNOLOGIA CLEARFIELD®
A tecnologia CL foi desenvolvida a partir da seleção de indivíduos com variabilidade para tolerar o uso de herbicidas do grupo químico das imidazolinonas. A partir da identificação de genótipos com mutação para tolerar a aplicação desses herbicidas. Essa mutação é natural e não caracteriza uma transgenia.

A representação do processo de seleção inicial desses genótipos tolerantes pode ser visualizada na Figura 1. 



Figura 1 – Esquema representando o processo de seleção de genótipos tolerantes aos herbicidas imidazolinonas.

No final dos anos 1980, os cientistas da BASF usaram um mutagênico químico no trigo para induzir uma mutação usando um cultivar de trigo francês, e encontraram uma planta tolerante a herbicidas. De posse desse material a BASF (então American Cyanamid) cooperou com criadores da Texas Agricultural Experiment Station para incorporar essa tolerância a herbicidas em uma linha comercial. Os cruzamentos para transferir a resistência a herbicidas para cultivares de trigo adaptadas foram concluídos na Texas A&M University em 1996, e posteriormente dispomibilizadas aos Agricultores.

O Trigo hexaplóide é geneticamente composto por três conjuntos de cromossomos emparelhados (genomas). Nas variedades CL a mutação associada à tolerância ocorre em um dos três genomas o que permite que esse germoplasma produza enzimas ALS não afetada pelos herbicidas imidazolinonas.

O grau de tolerância estará relacionado ao número de genes do genótipo envolvidos na característica desejada. No caso da existência de somente um gene essa tolerância será de 33%. Para genótipos que possuam uma mutação separada em um segundo genoma aumenta a tolerância ao herbicida. No caso das cultivares CL existem duas cópias de gene que conferem tolerância ao herbicida imazamoxi.

O HERBICIDA IMAZOMOXI
No caso da cultura do Trigo o herbicida imidazolinona registrado para uso nos cultivares CL é o Imazamoxi (Raptor®70 DG) (Figura 2). Esse herbicida atua inibindo a enzima Acetolactato Sintase (ALS), que está associada a produção de aminoácidos essenciais leucina, isoleucina e valina, os quais são usados para a produção de proteínas em plantas.



Figura 2 – Características físico-químicas do herbicida imazamoxi

Aplicado na pós-emergência das plantas daninhas é rapidamente absorvido pelas folhas, sendo translocado para pontos de crescimento, cessando a atividade da planta daninha em até 1 dia após a aplicação do herbicida. A morte total da planta irá ocorrer dentro de 2 a 3 semanas após o tratamento;

Na cultura do Trigo CL recomenda-se aplicar o produto com as plantas daninhas em crescimento vegetativo ativo, nos estádios de 2 a 4 folhas. 

As principais espécies controladas na cultura do Trigo são: Aveia-preta (Avena strigosa); Azevém (Lolium perene spp. multiflorum); Cipó-de-veado de inverno (Polygonum convolvulus); Colza (Brassica rapa); Erva-Salsa (Bowlesia incana); Esparguta (Stellaria media) e Nabo (Raphanus raphanistrum).

Resultados de controle de Nabo e Azevém, principais espécies daninhas da cultura do Trigo, podem sem observados nas Figuras 3 e 4.



Figura 3 – Porcentagem de controle de Azevém e de Nabo em dois locais de semeadura do  Trigo CL.




Figura 4 – Visualização do efeito de controle de Nabo pelo herbicida imazamoxi (Fotos - Rodrigo Rodrigues).

Devido a característica e biologia da planta daninha Azevém (Lolium multiflorum) no cultivo do trigo, quando presente em altas infestações ou ocorrência de possíveis plantas resistentes e/ou tolerantes aos herbicidas do grupo das ALS, recomenda-se a aplicação de herbicidas pré-emergentes devidamente registrados para o cultivo, o que irá contribuir no controle e manejo de plantas daninhas minimizando a pressão de seleção de plantas resistentes e aumentado a longevidade das tecnologias. 

MANEJO DA TECNOLOGIA CLEARFIELD®
O adequado manejo das tecnologias permitirá o seu uso de forma eficiente e eficaz por um tempo maior. Para que isso ocorra é importante se atentar para a adoção de práticas que auxiliem na proteção da tecnologia.

No caso da Tecnologia CL é importante praticar a rotação de culturas; evitar que a área fique em “pousio”; usar herbicidas com diferentes mecanismos de ação em pré-semeadura e ao longo do ciclo das culturas e monitorar a ocorrência de plantas voluntárias CL.

Além das estratégias descritas anteriormente, o sucesso na adoção do Trigo CL ao longo dos anos depende do:
- Controle da população de plantas daninhas antes da semeadura, de tal modo que o Trigo seja semeado no limpo e que não sobrem plantas fora de estádio para o herbicida em pós-emergência;
- Diversificação das estratégias de controle, incorporando o uso dos herbicidas pré-emergentes associados com a adoção da Tecnologia CL;
- Utilização das Boas Práticas no uso do herbicida, seguindo as indicações da pesquisa e do fabricante quanto a dose adequada; estádio de aplicação; volume de calda e cuidados com as condições do ambiente durante a aplicação do herbicida. 
- Utilização do adjuvante adequado. No caso do Raptor®70 DG usar o adjuvante específico recomendado (Dash®DC). A substituição por outro adjuvante pode diminuir significativamente o grau de controle das plantas daninhas.


 

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