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Opinião

25/10/2021

Qual a relação entre qualidade da semente da soja e as plantas daninhas?

Eng. –Agr. Dr. Mauro Antônio Rizzardi Professor da Universidade de Passo Fundo, RS

No momento em que estamos em plena época de estabelecimento da soja, nada mais oportuno do que refletirmos sobre a importância na adoção de práticas que possam favorecer o estabelecimento e o desenvolvimento da cultura.

A qualidade de uma semente é representada pelos atributos de pureza, germinação e vigor. Essas características influenciam não só na uniformidade e velocidade de estabelecimento da cultura, mas também na definição da sua produtividade e na intensidade do dano causado pelas plantas daninhas na área.

A legislação que regulamenta a produção e comercialização de sementes estabelece parâmetros norteadores da qualidade das sementes a ser disponibilizada aos agricultores. A definição pelo uso de sementes certificadas é uma garantia de que os parâmetros qualitativos para se obter uma lavoura com elevado potencial produtivo sejam atendidos.

Porém alguns aspectos devem ser considerados no momento do estabelecimento da soja, que podem impactar na ocorrência e na definição das estratégias de controle de plantas daninhas.

A ausência de propágulos de plantas daninhas junto às sementes da cultura é fundamental para que não haja a infestação ou re-infestação, com aumento na população de espécies indesejadas. É importante lembrar que a espécie a ser introduzida irá reproduzir e produzir número elevado de propágulos que aumentarão o banco de sementes no solo, o que ao longo do tempo causará sérios prejuízos ao agricultor.

Diante disso, e escolha e a implantação da soja deve levar em conta índices de pureza que garantam a ausência de sementes de plantas daninhas, mesmo que a legislação seja condescendente com a presença de certa quantidade de propágulos de daninhas junto às sementes das culturas. Um exemplo é tolerar a presença de até duas sementes de Buva ou de Capim-Amargoso em semente de categoria C2. É importante lembrar que uma semente de Buva, ou mesmo de Capim- Amargoso, gerar uma planta que produzirá mais de 200 mil sementes.

Para qualquer lote de sementes de soja, ou de outra cultura, deveríamos adotar o critério de “Tolerância Zero” para sementes de plantas daninhas.

Outro parâmetro qualitativo importante de uma semente é a sua germinação, quantificada pela porcentagem de sementes que germinam quando submetidas às condições ambientais adequadas. Essa característica influencia diretamente na presença de plantas daninhas na área. Ao se optar pelo uso de sementes com reduzida germinação a população de plantas da cultura ficará abaixo da indicada e, principalmente com falhas de plantas, o que possibilitará o estabelecimento de espécies oportunistas, como as daninhas.

O vigor da semente, por sua vez, impacta na velocidade da cobertura do solo pela cultura. Sementes com vigor elevado geram plântulas com crescimento mais rápido possibilitando a sua dianteira competitiva em relação às plantas daninhas.

Quanto mais elevados forem os índices de germinação e vigor no lote de sementes a ser semeado, mais uniforme e rápido será o estabelecimento e desenvolvimento da cultura.

O rápido fechamento das entrelinhas pela cultura, diminui a incidência de luz no solo. Essa redução na quantidade e alteração na qualidade da luz impactará negativamente na presença de plantas daninhas na área e, também reduzirá a interferência com a cultura.

Em muitas situações ao serem utilizar sementes de menor qualidade, a cobertura do solo pela cultura passa a não ser uniforme, o que faz com que seja é necessária a intervenção química com herbicidas muito no início do desenvolvimento da cultura ou mesmo tendo que repetir o seu uso ao longo do ciclo.

Portanto, a escolha de sementes de qualidade associadas aos cuidados básicos no momento da semeadura da cultura possibilitará a implantação uniforme e vigorosa da cultura, expressando a sua máxima capacidade competitiva em relação às plantas daninhas.

Lembrem-se: “quem primeiro se estabelece leva vantagem”. Nas relações plantas daninhas e culturas essa máxima também é verdadeira.

Mauro Antônio Rizzardi é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Passo Fundo , mestre e doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor titular da Universidade de Passo Fundo. 

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