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Manejo Integrado

Principais espécies daninhas no Milho

Eng. –Agr. Dr. Mauro Antônio Rizzardi Professor da Universidade de Passo Fundo, RS

A produção do milho, atualmente em torno de 100 milhões de toneladas, vem crescendo significativamente nos últimos anos, associada principalmente ao uso de genótipos mais produtivos e a adoção de práticas adequadas de manejo. Acrescente-se a isso, a ampliação das áreas semeadas na segunda safra (safrinha) ocorrida na região Centro-Oeste e no estado Paraná, principalmente. Essa segunda safra representa cerca de 70% do total do milho produzido no Brasil.

A ampla dispersão geográfica do cultivo do milho no Brasil faz com a cultura seja exposta a diferentes condições de ambiente que influenciam na diversidade das espécies de plantas daninhas presentes nessas áreas. No caso do milho safra, hoje com cerca de 5 milhões de hectares, a sua semeadura ocorre no final do inverno/início da primavera, favorecendo assim a ocorrência de espécies daninhas mais adaptadas às condições de temperaturas mais amenas. Já, no milho de segunda safra, com cerca de 17 milhões de hectares, ocorrem mais aquelas espécies mais adaptadas às condições mais quentes.

As espécies daninhas relatadas como ocorrendo junto à cultura do milho podem ser observadas na Tabela 1. Com o pode ser visto a quantidade de espécies é diversificada, compreendendo tanto espécies monocotiledôneas e quanto eudicotiledôneas. Entre as monocotiledôneas destacam-se as espécies da família Poaceae (gramíneas), as quais pertencem à mesma família do milho.

Tabela 1 – Nomes científico e comum e código Bayer de identificação das principais espécies de plantas daninhas com ocorrência na cultura do milho no Brasil






Características das principais espécies daninhas do milho

Amaranthus spp - Ocorrem no mundo cerca de 60 espécies do gênero Amaranthus, das quais umas 20 tem importância como planta daninha. No Brasil, as principais espécies são: A. deflexus; A. hybridus; A. Lividus; A. quitensis; A. retroflexus; A. palmeri; A. spinosus; A. viridis. As plantas das diversas espécies, bem como de seus cruzamentos, são grandemente influenciadas pelo ambiente, que afeta porte e aspecto. O tamanho das plantas maduras pode variar de poucos centímetros a quase dois metros, dependendo da época de germinação e condições durante o desenvolvimento. O tamanho e a apresentação da panícula também podem variar. Muitas espécies e cruzamentos apresentam pigmentação avermelhada ou arroxeada, que pode ocorrer em panículas, nos caules e ramos, pecíolos e nos limbos foliares. Em alguns tipos é comum a ocorrência de manchas prateadas ou amarronzadas nos limbos foliares, durante certos estádios de desenvolvimento.



Bidens spp - Esse gênero compreende as espécies B. pilosa e B. subalternans. Planta herbácea, ereta, com porte variável, de 20 a 150 cm. Seu caule é ereto de seção quadrangular, liso ou levemente piloso. Na espécie subalternans a ramificação é dicotômica na parte inferior, passando a alternada na parte superior. As folhas são opostas na parte inferior e alternadas na superior. Em B. subalternans os folíolos são ovalados ou elípticos. Nas plântulas de B. subalternans, o segundo par de folhas verdadeiras é semelhante ao primeiro, enquanto em B. pilosa o segundo par é distinto do primeiro no seu lobo frontal. Seus capítulos florais são formados por botões de coloração amarela. Suas unidades de dispersão são aquênios, os quais possuem, em sua maioria, 4 aristas lineares em sua extremidade.



Cenchrus echinatus – Planta anual reproduzida por sementes. Alastra-se por enraizamento dos colmos, nos nós em contato com o solo. Colmos cilíndricos com porções inferiores frequentemente achatadas. Ramificam-se desde a base e a partir de nós inferiores. Coloração verde ou verde-amarelada, com nós mais escuros. As folhas são abundantes, distribuídas sobre os colmos. Bainhas lisas ou com alguns pêlos marginais na porção superior. Bandanas com lobos eretos ou quase eretos, formando espinhos livres. Espinhos delgados e roliços, distribuídos no corpo. Coros com cerdas não ultrapassa ao dos lobos. Fotossíntese pelo ciclo C4.

Commelina spp – O gênero Commelina é composto por diferentes espécies, sendo as de ocorrência mais comum a C. benghalensis; C. diffusa; C. erecta e C. villosa. A espécie C. benghalensis é a que ocorre com maior frequência, como planta daninha em culturas anuais. Planta herbácea, tenra e suculenta, que cobre intensamente a superfície do solo. Seu ciclo é anual, com reprodução por sementes e a partir de flores modificadas que ocorrem nos rizomas subterrâneos. Também os ramos, quando cortados, regeneram plantas com facilidade. Os rizomas, com suas frutificações e sementes, que não são removidos pela destruição da parte aérea das plantas, favorecem grandemente a perpetuação na área. As sementes aéreas não são muito eficientes para a dispersão. A espécie C. benghalensis pode ser distinguida por: presença de rizomas subterrâneos; flores com três pétalas (uma menor e mais clara); longos pelos a partir do ápice das bainhas; e as folhas são geralmente mais largas do que as de outras espécies.



Conyza spp - O gênero Conyza é composto por diferentes espécies, sendo as de ocorrência mais comum a Conyza bonariensis; Conyza sumatrensis e Conyza canadensis. A separação das espécies no campo é difícil, porém as diferenças existentes na inflorescência auxiliam nessa identificação. Na C. bonariensis os ramos laterais da inflorescência passam do ramo terminal e as inflorescências ficam na ponta dos ramos. Na C. sumatrensis a inflorescência é na forma piramidal, com alta densidade de pelos na haste principal. Na C. canadensis, a inflorescência também é na forma piramidal, mas com baixa densidade ou mesmo sem pelos na haste principal. Planta anual, reproduzida por semente. Pela enorme quantidade de sementes produzidas (acima de 200 mil/planta) e pela facilidade de dispersão, com os papilhos permitindo sustentação nas correntes do ar. Planta herbácea, ereta, cuja altura pode chegar até 2m, dependendo das condições de desenvolvimento. O caule é uma vara ereta, cilíndrica e fácil de ser quebrado. Porém, nesses casos pode ocorrer o rebrote da planta. Sua raiz principal é pivotante, bastante profunda. Na espécie C. bonariensis, os ramos da parte superior da planta elevam-se e sobrepassam ao topo do caule; folhas em geral de margens inteiras, mas que podem apresentar minúsculos dentes. Na C. canadensis, a parte superior do caule forma uma grande panícula, sem que os ramos excedam ao topo; folhas com margens finamente dentadas.



Digitaria horizontalis – Planta anual reproduzida por sementes, alastrando-se a partir de nós dos colmos em contato com o solo. Suas unidades de dispersão são as cariopses elípticas, de cor branco-amarelada. Essa espécie de digitaria se diferencia das demais por apresentar racemos, junto à base de cada espigueta, um longo pelo branco de base tuberculata. 



Digitaria insularis – Planta perene com reprodução por sementes. Forma touceiras consideráveis a partir de curtos rizomas. Plantas com panículas formando bandeiras sedosas, com as espiguetas intensamente pilosas. Possui racemos numerosos, com 10 a 30cm de comprimento. Produz elevado número de sementes, revestidas por pêlos, que são carregadas a grandes distâncias pelo vento. Germinação mais intensa na primavera e verão. Espécie com elevada capacidade de crescimento e produção de biomassa. Fotossíntese ciclo C-4.



Eleusine indica – Planta anual reproduzida por sementes, cespitosa. Ereta ou semi-prstrada. Os colmos são achatados, especialmente na parte inferior. Normalmente ocorrem ramificações na parte basal. Coloração verde, glabros, com raros pêlos longos. Inflorescência de espigas longas e estreitas, verticiladas no ápice dos colmos. Espiguetas não aristadas, comprimidas em duas filas em um lado da raque. As unidades de dispersão são aquênios e sementes livres. Fotossíntese pelo ciclo C4.



Euphorbia heterophylla - Planta anual, herbácea, ereta, com altura de 20cm a 2m, dependendo das condições de desenvolvimento. Há formação abundante de um látex branco, tanto nas partes vegetativas quanto reprodutivas. A reprodução é por sementes, as quais ficam protegidas pelo fruto até que o mesmo se abra e lance as sementes a distância pela sua abertura explosiva. No solo, as sementes germinam a menos de 4cm de profundidade, durante praticamente todo o ano. Essa espécie possui características variáveis, especialmente em relação ao formato das folhas, que pode diferir de uma população a outra, dentro de uma mesma população, entre descendentes de uma planta e mesmo numa única planta.



Ipomoea ramosissima - Planta daninha anual herbácea, reproduzida por sementes. O caule é cilíndrico, ramificado, volúvel, de superfície verde nas partes novas, com numerosos pelos curtos. Suas folhas são longo-pecioladas, de limbo cordiformes, às vezes deltóides. São glabras ou com tricomas na região basal e nas nervuras, ou tricomas muito curtos nas margens. As inflorescências são geralmente em cimos corimbiformes. Flores com cálice compacto. Estames irregulares, com anteras lanceoladas, brancas. As sementes são as unidades de dispersão, que se liberam quando as cápsulas se abrem. O pericarpo é cartáceo, liso, glabro de coloração castanho-avermelhado, com 4 sementes (2 por lóculo). O formato da semente pode variar com o número de sementes maduras que ocorrem na cápsula.



Lolium perenne spp. multiflorum – Planta anual ou bianual reproduzida por sementes. As plantas de Azevém apresentam desenvolvimento mais vigoroso durante os meses mais frios. Os colmos são eretos ou decumbentes, não ramificados, apresentando geralmente uma coloração violácea na base. São cilíndricos, finos, lisos e glabros. As folhas são constituídas de bainhas achatadas, estriadas, lisas e glabras, de margens hialinas e sobrepostas. Colares de largura média. Lígulas membranáceas, hialinas, truncadas, de ápice denticulado. Aurículas desenvolvidas, abraçando o colmo. As unidades de dispersão são cariopses, geralmente acompanhadas das glumelas.



Urochloa plantaginea – Planta anual reproduzida por sementes, de porte semi-ereto. Perfilha intensamente e uma planta pode formar considerável touceira. As plântulas possuem coleóptilos lanceolados com ápice agudo, glabro. Folhas com bainha esbranquiçada, estriada e com pêlos curtos. Colmo cilíndrico, ereto, glabro, verde-claro sem pigmentação arroxeada. As inflorescências apresentam espiguetas mais adensadas, quase acavaladas, com glumas transversalmente nervadas até o ápice. Fotossíntese pelo ciclo C4.



Interferência de plantas daninhas em milho

As perdas de rendimento de grãos de milho devidas à interferência por plantas daninhas ocorrem tanto por competição pelos recursos do ambiente, como água, luz e nutrientes, quanto pela liberação de exudatos químicos das plantas daninhas em decomposição ou por aquelas que se desenvolvem junto com a cultura.  A cultura do milho, embora seja considerada competitiva, pode ser severamente afetada pela interferência de plantas daninhas, reduzindo o seu crescimento e o rendimento de grãos.

O efeito da interferência das plantas daninhas no rendimento do milho é variável e depende, entre outros fatores, da espécie de planta daninha presente e do período no qual ocorre a interferência. De forma geral, as espécies monocotiledôneas causam maiores prejuízos ao rendimento do milho do que espécies dicotiledôneas.
 
A época de início do controle de plantas daninhas influencia no crescimento das plantas e no rendimento de grãos da cultura. O período em que os efeitos das plantas daninhas efetivamente causam prejuízos à cultura e durante o qual a competição não pode existir é chamado de “período crítico de competição”. Esse período, para a cultura do milho, é variável, ocorrendo na maioria das situações entre os estádios V2 (duas folhas desenvolvidas) e V7 (sete folhas desenvolvidas). As variações no período crítico de competição são devidas ao genótipo, à época de semeadura, à disponibilidade de água e nutrientes, à época de emergência, à densidade e à espécie de planta daninha.

A intensidade do efeito negativo causado pela interferência de plantas daninhas depende do componente do rendimento da cultura que é afetado. No caso do milho, o componente do rendimento mais afetado pelo aumento da infestação é o número de grãos por espiga, seguido pelo número de espigas por planta e pelo peso de grãos. O número de grãos por espiga e o número de espigas por planta são influenciados negativamente quando as plantas daninhas infestam a cultura nas fases em que a mesma diferencia suas estruturas reprodutivas. Esses dois componentes são definidos nos estádios iniciais de desenvolvimento (2 folhas), estando totalmente diferenciados até as plantas apresentarem 11 a 12 folhas desenvolvidas. O terceiro componente, peso de grãos, é definido no período entre a emissão dos estigmas e a maturação fisiológica, em virtude da quantidade de carboidratos acumulados no processo de fotossíntese.

A infestação de plantas daninhas também influencia no período de dias entre a emissão do pendão e a emissão da espiga do milho, afetando negativamente o processo de polinização da cultura.  O estresse causado por falta de luz fotossinteticamente ativa durante a fase vegetativa do milho atrasa a emissão do pendão e dos estigmas; já, a exteriorização dos estigmas é atrasada quando a falta de luz ocorre no período reprodutivo. Assim, o déficit luminoso prejudica a polinização em razão da defasagem no período entre a receptividade dos estigmas e a maturação dos grãos de pólen, reduzindo o número de óvulos fecundados, ou promovendo o seu abortamento e, por consequência, provocando a diminuição do número de grãos formados.


 

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