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Opinião

24/11/2020

Manejo de plantas daninhas – por quê pensar no sistema?

Eng. –Agr. Dr. Mauro Antônio Rizzardi Professor da Universidade de Passo Fundo, RS

A agricultura associada à produção de grãos é bastante dinâmica e inclui cada vez mais a semeadura de diferentes culturas em sucessão, com ciclos sempre mais curtos.

A sucessão de culturas pode ser uma aliada importante no manejo de plantas daninhas, pois ao se alterarem as culturas no ambiente modificam-se as associações com as plantas daninhas. Quando bem planejada, a sucessão de culturas possibilita criar um ambiente de diversidade na área, dificultando o processo de adaptação das espécies daninhas.

Essa diversidade a ser criada poderá ser associada tanto às mudanças nas características diferenciais da palha das culturas, quanto nas estratégias de manejo, como época de semeadura e arranjo de plantas. Além disso, o uso de diferentes culturas possibilita realizar o controle de plantas daninhas em épocas distintas ao longo do ano, impactando no seu banco de sementes em maior intensidade e em momentos diferentes.

A ampliação das áreas de cultivo de Soja x Milho; Algodão x Soja; Arroz-irrigado x Soja; Soja x Feijão deve vir acompanhada com cuidados na escolha dos herbicidas a serem utilizados. Atualmente, essa preocupação é maior em função da redução no ciclo das culturas, associado ao aumento no uso dos herbicidas pré-emergentes.



O uso de herbicidas que possuem residual longo no solo pode afetar o desenvolvimento da cultura semeada na sequência. Por exemplo, o uso de herbicidas inibidores da ALS, de residual longo, no Arroz–irrigado podem influenciar negativamente no desenvolvimento da soja semeada na sequência. Já, em áreas de “meiosi” de Soja na renovação de Cana os resíduos dos herbicidas usados ao longo dos anos na Cana podem interferir na Soja.

Nesse sentido, ao se optar pelo uso herbicidas de ação residual no solo ter-se-á que saber qual a cultura que será semeada na sequência e qual a sua sensibilidade ao referido herbicida utilizado.

O conhecimento do comportamento do herbicida no ambiente e da sua interação com as características do solo são de extrema importância. Ressalta-se que a ação dos herbicidas pré-emergentes e sua persistência diferem conforme as características do solo, como teor de matéria orgânica, porcentagem de argila e silte entre outros, como regime de precipitação.

De outro modo, o aumento na intensidade no uso do solo quando não bem planejado pode conduzir para um processo de seleção de espécies daninhas de difícil controle, ou mesmo interferir negativamente no processo produtivo.

Além do efeito direto do herbicida utilizado sobre o rendimento da cultura em sucessão é importante se fazer o planejamento de tal forma que não se repita herbicidas com o mesmo mecanismo de ação dentro da própria cultura ou da cultura em sucessão. A falta de rotação de herbicidas com diferentes mecanismos de ação é um dos principais fatores associados à seleção de espécies daninhas tolerantes ou mesmo resistentes. Nunca é demais lembrar que o uso repetido de glifosato, por exemplo, foi e continua a ser um agente importante de seleção de plantas daninhas resistentes, como Buva e Amargoso.



Nas diferentes regiões de cultivo existem espécies daninhas que podem sobreviver as estratégias de controle usadas em uma cultura e virem a interferir no desenvolvimento da outra cultura semeada na sequência. Exemplos dessa situação não faltam. Nos sistemas de soja x milho é bastante comum falhas no controle de Amargoso na Soja, o qual será cortado por ocasião da colheita e o seu rebrote ocorrendo dentro da cultura do Milho interferirá negativamente no rendimento de grãos. Outro exemplo, é a Buva não controlada no Trigo e o seu consequente efeito negativo na Soja.

Lembre-se que tudo o que for bem, ou mal feito, em uma cultura interferirá positivamente ou negativamente na cultura semeada em sucessão.


Mauro Antônio Rizzardi é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Passo Fundo , mestre e doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor titular da Universidade de Passo Fundo. 

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