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Opinião

26/04/2021

Herbicidas pré-emergentes em Trigo: uma tendência que veio para ficar

Eng. –Agr. Dr. Mauro Antônio Rizzardi Professor da Universidade de Passo Fundo, RS

A dificuldade no controle de plantas daninhas vem aumentando ano após ano nos diferentes sistemas produtivos de grãos no mundo todo. Esse aumento também está sendo observado em culturas nas quais a quantidade de espécies daninhas é menor e onde o controle era mais facilmente realizado, como na cultura do Trigo.

No Trigo a principal estratégia de controle químico é o uso de herbicidas pós- emergentes, aplicados seletivamente sobre a cultura. Porém, o uso dessa estratégia de controle não tem sido mais efetiva no controle de algumas espécies daninhas na cultura.

A menor eficiência dos herbicidas pós-emergentes está associada principalmente ao aumento nas infestações de Azevém, Buva e Nabo, e ao crescimento nos relatos de casos de resistência dessas espécies aos herbicidas, o que despertou para a necessidade na busca de alternativas para o seu controle, como o uso de herbicidas de ação em pré-emergência.

Os herbicidas pré-emergentes são utilizados antes de ocorrer a emergência das plantas daninhas e das culturas, em aplicação plante/aplique ou aplique/plante. Esses herbicidas possuem ação residual no solo e, na sua maioria, impedem a emergência das plantas daninhas.

O uso de herbicidas pré-emergentes se faz necessário para a preservação do potencial produtivo do Trigo, através da diminuição da matocompetição inicial causada pelas plantas daninhas e pela melhor eficiência no controle daqueles biótipos resistentes aos herbicidas utilizados na pós-emergência da cultura.

As alternativas de herbicidas pré-emergentes para o Trigo são restritas atualmente aos herbicidas pendimetalina e, mais recentemente, ao piroxasulfona. Porém, outras moléculas se encontram em fase de registro como: flumioxazina; trifluralina e s-metolacloro; ou em fase de pesquisa como: bixlozona (isoflex) e cinmetilina.

A entrada desses pré-emergentes significará uma maior disponibilidade de herbicidas com mecanismos de ação diferentes daqueles comumente usados na pós- emergência da cultura, criando possibilidades de que o produtor estabeleça um plano de rotação de mecanismos de ação que o auxilie no controle das plantas daninhas, diminuindo a pressão de seleção e a evolução dos casos de resistência aos herbicidas comumente usados no Trigo.

O uso desses herbicidas também diminuirá o efeito negativo das plantas daninhas no início do desenvolvimento do Trigo, atrasando a matocompetição inicial ou mesmo impedindo novos fluxos de emergência de plantas daninhas dentro da cultura. O período em que os efeitos das plantas daninhas efetivamente causam prejuízos à cultura e durante o qual a competição não pode existir é chamado de “período crítico de competição”. Esse período crítico, para a cultura do trigo, é variável, ocorrendo na maioria das situações dos 14 aos 47 dias após a emergência. As variações no período crítico de competição são devidas ao genótipo, à época de semeadura; à época de emergência; à espécie de plantas daninhas e à sua densidade. No caso de uma cultivar de trigo com ciclo de 140 dias, o período crítico se estende aproximadamente até 47 dias após sua emergência. Dentro desse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes, com elevado período residual protegerá a cultura da competição e manterá elevado o potencial de rendimento da cultura.

Quando se usa um herbicida pré-emergente espera-se que ele possua características importantes como seletividade à cultura; residual longo para as plantas daninhas e amplo espectro de controle das plantas daninhas, o que inclui as populações resistentes.

Para o seu uso é importante o acompanhamento de um Engenheiro Agrônomo que posicione o produto considerando as características do solo; condições do ambiente; condições de manejo e as características físico-químicas dos herbicidas, sem nunca perder de vista o máximo de retorno econômico ao produtor.

Mauro Antônio Rizzardi é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Passo Fundo , mestre e doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor titular da Universidade de Passo Fundo. 

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