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Opinião

19/08/2019

Dessecação pré-semeadura

 

No momento em que se aproxima mais um período de semeadura da soja e do milho safra é importante adotar práticas de manejo que favoreçam o crescimento e desenvolvimento da cultura. Entre essas práticas destaca-se o manejo pré-semeadura, denominado de “dessecação”’.

 

A dessecação consiste na eliminação das culturas de cobertura e/ou de toda vegetação existente antes da semeadura das culturas, incluindo as plantas daninhas. Para tal, utilizam-se herbicidas de ação sistêmica ou de contato, mas geralmente de ação total sobre as plantas.

 

Essa prática de manejo é de fundamental importância na semeadura direta, pois sua realização possibilita que: - a semeadura seja adequadamente realizada, pela eliminação da biomassa verde produzida pelas culturas de cobertura; - a emergência e desenvolvimento inicial da cultura ocorram em condições mais favoráveis; - o controle das espécies daninhas que emergirem antes do estabelecimento da cultura, como a buva (Conyza spp); o amargoso (Digitaria insularis); o capim rabo-de-burro (Andropogon bicornis) seja realizado de modo eficaz; e; - o manejo de plantas daninhas dentro do ciclo da cultura seja facilitado.

 

As espécies daninhas presentes próximas da época de semeadura das culturas, em que foram cultivados cereais de inverno, costumam ser de manejo mais simples do que nas áreas que estiverem com pastagem ou pousio. Nas áreas ocupadas com cereais de inverno, o manejo adequado de plantas daninhas durante o ciclo da cultura resulta em baixa infestação e em plantas de menor porte, o que permite uma única aplicação de herbicida logo antes da semeadura da soja, por exemplo.

 

Em áreas destinadas ao pastejo ou pousio de inverno o controle das espécies daninhas deve ser realizado durante a estação de crescimento, de forma que no cultivo da soja ocorra baixa infestação.

 

Em áreas de soja a serem semeadas após o milho safrinha, como no Centro-Oeste do Brasil, ou mesmo naquelas áreas em que existam plantas daninhas de difícil controle, como buva; amargoso; poaia-braca (Richardia brasiliensis); Trapoeraba (Commelina spp); corda de viola ( Ipomoea spp); erva quente (Spermacoce latifola), entre outras, deve-se adotar estratégias específicas para o controle das mesmas. Isso se deve, em geral, ao estádio avançado de desenvolvimento em que essas espécies se encontram no momento da dessecação e, a realização dessa operação próxima a semeadura, quando a semeadora pode danificar as plantas, dificultando a ação herbicida.

 

Dessa forma, essas espécies devem ser controladas durante a estação de crescimento ou com antecedência suficiente à semeadura da soja, de forma a obter controle eficiente das mesmas.

 

As estratégias para a dessecação são importantes de serem seguidas, pois elas visam proporcionar tanto a semeadura quanto a emergência da cultura em um ambiente livre da presença de plantas daninhas. Entre as estratégias de dessecação que podem ser utilizadas destacam-se a sequencial e a aplique-plante.

 

A dessecação sequencial compreende a aplicação antecipada em relação à semeadura de herbicidas sistêmicos não seletivos, complementada com a aplicação de outro herbicida de contato, associado ou não com herbicidas residuais, dois a três dias antes da semeadura da cultura. A primeira aplicação deverá ser realizada por volta de 10 a 30 dias antes da semeadura, podendo variar em função das condições climáticas e de infestação da área. 

 

Normalmente, este tipo de manejo é indicado para infestações elevadas, de plantas bem desenvolvidas ou de difícil controle. Neste método, a primeira aplicação possibilita eliminar a cobertura proporcionada pelas plantas de maior estatura, porém, de maneira geral não possibilita o controle daquela vegetação mais rasteira, protegida pela vegetação mais alta. Para o controle dessa vegetação ou mesmo de plantas oriundas de um novo fluxo de emergência, é realizada uma segunda aplicação de manejo. Essa aplicação possibilita a semeadura no limpo, imediatamente após a sua aplicação, e também complementa o controle propiciado pela primeira dessecação através da eliminação de eventuais rebrotes ou mesmo de plantas que escapam ao controle.

 

A dessecação aplique-plante consiste na aplicação de um ou mais herbicidas imediatamente antes da semeadura. A escolha do produto ou produtos a serem usados na área normalmente é feita em função da composição e população de plantas daninhas na área. Tal método de manejo é adotado por muitos agricultores com a finalidade de ganhar tempo e maximizar a utilização dos equipamentos disponíveis na propriedade; porém, é uma estratégia pouco eficiente para o controle de espécies daninhas tolerantes ou resistentes ao glifosato, além de ter limitações de uso em áreas com vegetação muito densa e elevada quantidade de massa verde.  A dessecação aplique-plante normamente é aplicada entre sete e dez dias antes da semeadura.

Mauro Antônio Rizzardi é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Passo Fundo , mestre e doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor titular da Universidade de Passo Fundo. 

Autor: Eng. –Agr. Dr. Mauro Antônio Rizzardi, Professor da Universidade de Passo Fundo, RS

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