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Opinião

04/08/2020

Buva em áreas de pastagens

Eng. –Agr. Dr. Mauro Antônio Rizzardi Professor da Universidade de Passo Fundo, RS

Em grande parte da região sul do Brasil é comum o cultivo de pastagens anuais de inverno, como Azevém e Aveia-preta, para servirem de alimento aos bovinos de leite e de corte. Estas áreas, após serem pastejadas pelo animal durante parte do outono, inverno e primavera, são utilizadas para a semeadura da soja.

O período no qual essas pastagens se desenvolvem coincide com aqueles em que ocorrem os maiores fluxos de germinação e emergência da Buva (Conyza spp.). Essa planta daninha tem a sua germinação iniciada em final de março e se prolonga, na maioria das regiões, até o mês de outubro. Muitas vezes o início desse fluxo é atrasado em função de períodos de baixa disponibilidade hídrica.

Outro fator importante associado à ocorrência de Buva é a presença de luz. A duração e intensidade da emergência estão diretamente relacionadas a esse fator. Nesse sentido, em áreas de pastagem o efeito do pastejo dos animais afetará diretamente a maior ou menor disponibilidade de luz para o estímulo da germinação e emergência das plantas daninhas. O consumo de biomassa vegetal pelo animal permitirá maior passagem de luz para o estimulo na germinação da Buva.

Em áreas de pastagens mal manejadas, com pastejo intensivo, é comum de se encontrar altas infestações de Buva e em estádios avançados de desenvolvimento, principalmente próximo à semeadura da soja. Nessas condições, o controle é dificultado, sendo necessário maior número de herbicidas, em doses mais elevadas e na maioria das vezes, aplicados de forma sequencial. Esse manejo inadequado da pastagem eleva os gastos com a dessecação, além de fazer com que seja necessário o uso de herbicidas muito próximos à semeadura da soja, podendo afetar negativamente o seu desenvolvimento.

O manejo da pastagem para diminuir a ocorrência de Buva está inicialmente relacionado ao seu estabelecimento, onde se deve dar preferência a semeadura da pastagem, e não esperar que a mesma se estabeleça naturalmente a partir do banco de sementes existentes no solo. Essa “ressemeadura natural” é prática comum em regiões do Rio Grande do Sul, onde o banco de sementes de Azevém é elevado.

A uniformidade da pastagem associada a uma adequada população são atributos essenciais tanto para a produção de biomassa para alimentar o animal, quanto para proteger o solo. Em se estabelecendo adequadamente a pastagem, o próximo passo é o de controlar a lotação animal de acordo com a quantidade do pasto e, preferencialmente, estabelecer um plano de pastoreio rotativo.

A rotação no pastejo dará condições de rebrota e recuperação na produção da pastagem, o que poderá dificultar o fluxo de emergência da Buva. É importante lembrar que a intensidade do pastejo está relacionada à altura da pastagem. Se considera como pastejo “intensivo” altura de corte próxima a 10 cm; “moderado de 20 a 30 cm e ”leve” altura de 40 cm. Quanto maior a altura do pastejo,  maior será a cobertura do solo e menor a incidência de plantas de  Buva.

Outra estratégia para o manejo da Buva em áreas de pastagens é o uso de herbicidas. Como o fluxo de emergência dessa planta daninha ocorre em diferentes épocas de condução da pastagem, o uso de herbicidas também pode ser feito em diferentes momentos, sempre respeitando o intervalo de aplicação do herbicida, tanto para o pastoreio do animal quanto para a semeadura da soja.

Entre as alternativas de herbicidas para o controle químico de Buva em pastagens de Azevém e Aveia destacam-se o dicamba; 2,4-D; metsulfuron-metilico e saflufenacil. No caso do uso do herbicida metsulfuron deve se respeitar o intervalo de 60 dias entre o seu uso e a semeadura da soja. No caso do dicamba o intervalo é de 30 dias.
 
Mauro Antônio Rizzardi é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Passo Fundo , mestre e doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor titular da Universidade de Passo Fundo. 

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