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Opinião

22/06/2020

Aveia-preta – uma cultura que se tornou infestante em Trigo

Eng. –Agr. Dr. Mauro Antônio Rizzardi Professor da Universidade de Passo Fundo, RS

A adoção do sistema de semeadura direta pressupõe o uso de culturas que produzam grandes quantidades de palha e, que possuam características qualitativas que possibilitem que a palha produzida proteja o solo através da diminuição do efeito da chuva ou mesmo da redução na infestação de plantas daninhas.

Entre as alternativas para cobertura do solo destaca-se a Aveia-preta (Avena strigosa Schreb.), principalmente por ser uma espécie de inverno que produz grande quantidade de palha e por diminuir a pressão de diversas espécies de plantas daninhas. Porém, o manejo inadequado, por ocasião da dessecação dessa cultura, fez com que sementes viáveis fossem depositadas no solo e a Aveia-preta se tornasse uma importante infestante paras as culturas de inverno, como Trigo e Cevada.

A Aveia-preta é caracterizada como uma planta anual, reproduzida, exclusivamente, por sementes. De maneira geral, as sementes tem pronta viabilidade, o que indicaria reduzida durabilidade no solo de sementes aptas para germinar; porém, após o uso contínuo dessa espécie observa-se a permanência de sementes viáveis por mais de um ano. Assim, como a maior intensidade de germinação ocorre no período do inverno, essa espécie passa a interferir com as culturas estabelecidas na mesma época. A infestação em culturas de verão geralmente não é muito significativa e tende a ser temporária, só no início do ciclo da cultura.

A intensidade do efeito negativo da infestação de plantas daninhas está associada à espécie, a época de emergência em relação à cultura e sua população. De maneira geral, espécies que possuem características de similaridade com a cultura, como mesma família botânica ou gênero, ou mesmas exigências nutricionais ou de luz, reduzem mais intensamente o rendimento da cultura. De forma similar, aquelas plantas daninhas que emergem antes ou junto com a cultura causam maior prejuízo. No caso da Aveia-preta, em infestações variáveis de 50 a 100 plantas m -2 , as reduções médias no rendimento de grãos de Trigo são de 8,9 kg ha -1 , para cada planta de Aveia presente na área.

A época de início do controle de plantas daninhas tem grande influência na intensidade de redução no rendimento de grãos da cultura do Trigo. O período em que os efeitos das plantas daninhas efetivamente causam prejuízos à cultura e durante o qual a competição não pode existir é chamado de “período crítico de competição”. Esse período crítico, para o Trigo, é variável, e ocorre na maioria das situações entre o estádio do perfilhamento ao início do elongamento. As variações no período crítico de competição são devidas ao genótipo, à época de semeadura; à época de emergência e arranjo de plantas da cultura e à espécie e população da planta daninha.

O manejo das plantas de Aveia-preta na cultura do Trigo deve associar práticas culturais com o controle químico. Entre as práticas de manejo, além de se realizar a dessecação da Aveia-preta antes de a mesma produzir propágulos viáveis, pode-se atrasar a semeadura do Trigo para o final da época recomendada. Esse atraso permitirá que maior número de sementes presentes no solo germine, podendo, as plantas que emergirem serem controladas por ocasião da dessecação pré-semeadura do Trigo.

Em relação ao controle químico da Aveia-preta no Trigo as alternativas incluem herbicidas pós-emergentes inibidores da ALS (iodosulfuron metil e piroxsulam) e da ACCase (clodinafope propargil).

Mauro Antônio Rizzardi é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Passo Fundo , mestre e doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor titular da Universidade de Passo Fundo. 

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