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Opinião

28/05/2019

As plantas daninhas e a produtividade das culturas

Desde o início da agricultura é comum a presença de plantas oportunistas que interferem no desenvolvimento normal das culturas estabelecidas na área.

Estas plantas são consideradas daninhas por, de algum modo, diminuírem a quantidades de recursos disponíveis no ambiente e, por consequência, reduzirem a produtividade das culturas.

Apesar de serem consideradas prejudciais para a atividade agrícola, botanicamente não existe planta daninha ou planta útil. Elas são consideradas daninhas por interferirem com o uso dos recursos da terra e da água. Cabe chamar a atenção que qualquer vegetal pode ser incluído como planta daninha. Como exemplo, se pode citar a presença de aveia-preta (Avena strigosa) na cultura do trigo ou mesmo de milho infestando a cultura da soja.

Os danos causados pela infestação de plantas daninhas variam em função da espécie e população da planta daninha; da sensibilidade e capacidade competitiva da cultura e da quantidade de dano que a população de plantas poderá causar. 

Os efeitos negativos da sua presença em lavouras incluem a competição que exercem por recursos limitados, aumento do custo de produção, dificuldade de colheita, depreciação da qualidade do produto, hospedagem de pragas e doenças e diminuição do valor comercial das áreas cultivadas. 

As perdas na produtividade devidas à interferência por plantas daninhas ocorrem tanto por competição pelos recursos do ambiente, como água, luz e nutrientes, quanto pela liberação de exudatos químicos das plantas daninhas em decomposição ou por aquelas que se desenvolvem junto com a cultura, como é o caso do azevém.  

Estima-se que as perdas na produção de grãos de diferentes culturas sejam superiores a 15%. No caso da soja existem informações de perdas próximas a 30% quando intensamente infestadas. Outros dados indicam que, somente a presença de 1 planta de Buva (Conyza spp) por m2 já é suficiente para reduzir de 4 a 12 % a produtividade da soja.

Assim, como dito anteriormente o efeito da interferência das plantas daninhas no rendimento das culturas é variável e depende, entre outros fatores, da espécie de planta daninha presente e do período no qual ocorre a interferência. De forma geral, as espécies monocotiledôneas causam maiores prejuízos ao rendimento do milho do que espécies eudicotiledôneas.

 A época de início do controle de plantas daninhas influencia no crescimento das plantas e no rendimento de grãos da cultura. O período em que os efeitos das plantas daninhas efetivamente causam prejuízos à cultura e durante o qual a competição não pode existir é chamado de “período crítico de competição”. Esse período, é variável, ocorrendo na maioria das situações entre os estádios V2 (duas folhas desenvolvidas) e V7 (sete folhas desenvolvidas) das culturas como o milho e soja. As variações no período crítico de competição são devidas ao genótipo, à época de semeadura, à disponibilidade de água e nutrientes, à época de emergência, à densidade e à  espécie de planta daninha.

A intensidade do efeito negativo causado pela interferência de plantas daninhas depende do componente do rendimento da cultura que é afetado. No caso do milho, o componente do rendimento mais afetado pelo aumento da infestação é o número de grãos por espiga, seguido pelo número de espigas por planta e pelo peso de grãos. O número de grãos por espiga e o número de espigas por planta são influenciados negativamente quando as plantas daninhas infestam a cultura nas fases em que a mesma diferencia suas estruturas reprodutivas. Esses dois componentes são definidos nos estádios iniciais de desenvolvimento (2 folhas), estando totalmente diferenciados até as plantas apresentarem 11 a 12 folhas desenvolvidas. O terceiro componente, peso de grãos, é definido no período entre a emissão dos estigmas e a maturação fisiológica, em virtude da quantidade de carboidratos acumulados no processo de fotossíntese.

Além do efeito negativo na produtividade das culturas, as plantas não controladas ou que restaram do controle ineficiente, resultam na reinfestação da área e aumentam os custos dos futuros controles. Assim, uma estratégia importante para se diminuir a infestação de sementes é o manejo na entressafra. De maneira geral, o agricultor preocupa-se no controle das plantas daninhas dentro do ciclo de desenvolvimento das culturas, onde após a colheita das mesmas deixa-se a área com presença de novas plantas até o momento em que se vai semear uma nova cultura. Atualmente, o uso de cultivares com ciclo cada vez mais curto faz com que este período seja maior, permitindo assim que as plantas daninhas se desenvolvam e consigam se reproduzir, antes da ocorrência das geadas.

Em virtude das consequências da reprodução das plantas daninhas, especialmente no abastecimento do banco de sementes no solo, deve-se, ao se tomar uma decisão sobre a necessidade de controle, incluir na mesma o impacto da produção de sementes nas decisões de longo prazo para manejo de plantas daninhas. Para isso são necessárias informações sobre a capacidade de produção de sementes pelas plantas daninhas.
 

Mauro Antônio Rizzardi é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de Passo Fundo , mestre e doutor em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente é professor titular da Universidade de Passo Fundo. 

Autor: Mauro Antônio Rizzardi

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